quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Silêncio

Quantas vezes sentis-te a necessidade de ouvir o silêncio?

Sou sincero, bastantes vezes...

Mas se por vezes é tudo o que precisamos de ouvir e nada mais, existe outras vezes em que o silêncio se torna um paradoxo insuporável, onde o nada se torna o tudo, onde o vazio enche a nossa mente, e de onde do preto se torna branco...

O silêncio tem esse poder, de tudo dizer, de nada revelar...de nos mostrar que o outro nada tem para nos dizer...de nos mostrar que o outro pode ter todo um mundo para nos dizer...

Mas será que o silêncio está apenas relacionado com o acto de comunicação verbal? Não me parece...

O silêncio revela muito daquilo que nos vai na mente, mas também demonstra que o acto de nos expressarmos não deriva apenas daquilo que dizemos...posso estar em silêncio, mas um simples olhar cúmplice pode demonstrar a outra pessoa, o que me corre no rio da alma naquele preciso momento...e não precisamos de ter grandes afinidades com o outro...basta apenas algum poder de observação e compreensão dos sentimentos do outro para perceber o que aquela pessoa vivência no seu céu interior...

É assim o silêncio, uma arma poderosa que nos pode dar todas as respostas que necessitamos de saber, como pode deixar-nos na perfeita e grandiosa ignorância, onde nada compreendemos e onde nada poderemos fazer para a combater...

Portanto, se procuras respostas, não oiças apenas o que te dizem, procura ler no otro os seus movimentos, as suas expressões, o modo como se move, a velocidade das suas acções, a direcção do olhar, o modo como olha, o modo como ri ou o modo como chora...

Mas como não sou pessoa de permanecer em silêncio por muito tempo, torna-se insuportável cair no vazio do nada, naquela situação em que tudo quero dizer mas nada posso afirmar...assim o silêncio torna-se doloroso, pois sinto na boca uma bola de neve de argumentos e afirmações cada vez maior, mas que se derretem no muro da censura do silêncio...e todos os artifices dessa argumentação, a boca, a lingua, as cavidades orais, tornam-se meros instrumentos insignificativos que nada contribuem para a libertação dessa opressão...encontro-me assim no meio de uma multidão onde só eu posso ouvir aquilo que quero dizer...e assim vivo com essa informação que apenas e só a mim me pertence...

Porque há certas coisas que só a nós próprios pertence...e desse modo o silêncio torna-se nosso companheiro e grande amigo, que conversa conosco sem nada dizer, e que afirma sem nada argumentar...ajuda-nos a ouvirmo-nos a nós próprios, e sim, esse será a maior qualidade, o ouvirmo-nos a nós proprios e perceber que nada do que dizemos faz sentido nem para nós próprios...

Abraço

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