sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ondjaki - Quantas Madrugadas Tem a Noite



Quantas madrugadas tem a noite?



É este o mote que dá inicio a uma narrativa brutal, crua, limpa e clara de uma Angola do povo, de uma Luanda dos subúrbios, de uma Angola descrente do poder, de um povo que vive o seu dia-a-dia.

É um retrato interessante dum povo e das suas relações, das suas preocupações, dos seus objectivos, das suas histórias e das suas confidências.

É um livro com bastante interesse que nos leva numa viagem escura e brutal na vida de diversas personagens que se encontram bem intrincadas umas nas outras. Cada um contribui de forma expressiva para o desenrolar da acção central, a história de um homem que numa noite de "birras" e "ngalas" conta a vida (ou morte) de AdolfoDido que vai e regressa deste mundo terreno enquanto à sua volta "como abelhas" as personagens vão vivendo de forma intensa as suas relações e consequências dos seus actos.

Pequenos detalhes que levam à construção de um bom livro e de uma história que nos "agarra" do inicio ao fim, através de uma narrativa esplêndida e de um português "mal-tratado" mas que expressa a verdadeira essência do contexto onde a história se desenrola.

De notar também as referências a Portugal e à Europa de onde saímos com a imagem de um povo desconfiado do que é novo e diferente. Sem dúvidas...

Recomendo vivamente este livro e procuro agora ler mais deste autor que me fascinou e me prendeu numa história com voltas e contra-voltas de uma Angola que um dia desejo conhecer...

Abraço.

P.S. O primeiro livro de um autor africano que li surpreendeu-me e faz-me agora olhar com outra perspectiva para a produção literária africana.

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