Basílio andava por aí...
Não tem emprego, não tem mulher, não tem nada...
Não tem vida, não tem amor, não tem calor...
Basílio encontra-se no fundo de uma escada, para não usar a tão famosa expressão "poço"...
Basílio perde-se nos corredores sem fim da vida, como se se tivesse perdido no Hospital Santa Maria, ou nas intrincadas linhas de Metro de Paris...
Perde-se de di proprio e de tudo o que lhe era próximo...partiu sem saber...sem saber que tinha partido...viajar sem viajar é algo de estranho, mas, no seu interior, Basílio sentia-se precisamente dessa maneira...viaja por um mundo que não era seu...mas que nele vivia...
Triste Basílio...vive no mundo actual e não saber...
Quase como todos nós...andamos por aqui sem sabermos bem o que fazemos...
Entregamo-nos às tristes sevícias da vida, agarrados que nem lapas, cola UHU ou talvez Super, acreditando firmemente até ao nosso último suspiro, que viver é precisamente isso...
Mas viver é mais que isso...viver é andar por aí...por esse mundo louco e alucinado, sedento de ti e de quem tu és...um mundo que te consome sem saberes que és consumido...seres comido sem saberes que te comem...lá se perde a famosa "comer sem saber que se come"...
E assim andava Basílio, perdido de si, perdido de todos, perdido do mundo, mas continuando dolorosamente nesta vida de cão...
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